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Ser Presença do Amor de Deus

Uma vez que somos feitos para amar, sabemos que não há maior alegria do que partilhar um bem: «Dá e recebe, e alegra a tua vida» (Sir 14, 16). As alegrias mais intensas da vida surgem, quando se pode provocar a felicidade dos outros, numa antecipação do Céu. (Amoris Laetitia n.º 129)

A vontade de partir para um contexto socialmente mais desfavorecido, para colaboramos no seu desenvolvimento e anunciarmos a Boa Nova de Jesus Cristo, já existia há muito tempo nos nossos corações. Entretanto, há cerca de quatro anos, os nossos caminhos cruzaram-se nos Leigos Boa Nova e foram-se entrelaçando cada vez mais com o nosso namoro até à união mais profunda, com o nosso casamento em agosto passado.

 

Esta vontade não nasceu por acaso. É consequência dos valores e da espiritualidade que nos foram transmitidos pela nossa família e por tantas outras pessoas ao longo das nossas vidas, que nos possibilitou compreender que o verdadeiro sentido da vida reside no amor. Só o amor é a chave que nos abre para a felicidade: aquele amor que Jesus nos ensinou, amor exigente e persistente, que procura sempre o bem do próximo. Por isso, bem sabemos que devemos procurar trilhar os mesmos passos de Jesus, por mais difíceis que sejam para que haja felicidade no mundo e em nós. Não significa isto que teremos de percorrer longas distâncias geográficas, como nós percorremos para chegar a Pemba, mas que teremos de ultrapassar, acima de tudo, as barreiras do indiferentismo, do individualismo e do comodismo existentes no nosso coração que, muitas vezes, nem sequer nos deixam chegar a quem vive ao nosso lado.

 

A nossa vocação missionária nasceu, então, da descoberta deste amor de Deus, enraizado em nós. Aí tomamos verdadeira consciência da fé que dizemos professar. E torna-se impossível separar a fé da missão. Ao assumirmo-nos cristãos, assumimo-nos missionários. Não existe alternativa. Por isso, dizemos que “ser cristão é ser missionário”. S. Paulo é muito explicito em relação a esta obrigatoriedade que deriva da nossa identidade cristã mais profunda: “Ai de mim se não evangelizar!” (1 Cor 9,16).

 

A nossa partida para Moçambique foi uma consequência natural da nossa fé e do facto de estarmos ligados, não só aos Leigos Boa Nova, mas, no que se refere a mim (Sérgio), à Associação Regina Mundi, e surgiu no tempo que considerámos oportuno, logo depois da celebração do nosso casamento. Na verdade, ou disponibilizávamos de um tempo relativamente prolongado agora ou seria mais difícil depois, uma vez que também temos a intenção de ter filhos. O facto de virmos para Pemba também resulta de uma ligação afetiva às pessoas desta cidade, que dura desde o ano 2001, altura em que eu, enquanto seminarista da Sociedade Missionária da Boa Nova, realizei o meu estágio missionário aqui. Como Leigo Boa Nova, regressei aqui por mais três vezes (2005, 2010 e 2013), sempre em agosto, tendo vindo comigo a Ana Sofia, que agora é minha esposa, em 2013.

 

Apesar de já conhecermos um pouco desta realidade, sabíamos que viver cerca de nove meses fora da nossa “zona de conforto” constituía uma experiência marcante e desafiante. E está a sê-lo. A realidade atroz que encontramos em tantas casas destes bairros de Pemba, de imensa pobreza material e espiritual, faz-nos ter consciência da nossa pequenez e da nossa impotência diante de tais necessidades, mas, ao mesmo tempo, lançam-nos a responsabilidade de fazer tudo aquilo que está ao nosso alcance, por mais pequeno que seja, tendo em conta as prioridades estabelecidas, quer pela Paróquia Maria Auxiliadora, quer pela Diocese de Pemba onde trabalhamos.

 

Todavia, o mais importante, para além do que se possa fazer, será sempre ser presença de Deus na vida destas pessoas. Só assim é que as nossas ações apontam para um sentido mais profundo e mais pleno. Podemos, na maioria dos casos, não conseguir proporcionar uma vida mais digna do ponto de vista material, no entanto, se formos presença de Deus, seremos sempre capazes de dar esperança. E como dizia Anatole France, “nunca se dá tanto como quando se dá esperança”.

 

Sérgio Cabral & Ana Sofia Costa

 
 

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