http://leigos.boanova.pt/components/com_gk3_photoslide/thumbs_big/375695banner1.jpglink
http://leigos.boanova.pt/components/com_gk3_photoslide/thumbs_big/579349banner2.jpglink
http://leigos.boanova.pt/components/com_gk3_photoslide/thumbs_big/644325banner3.jpglink
Leigos Boa Nova: 20 anos em Missão

Em séculos passados, a missão foi eclesiástica e clerical e tinha por objetivo dilatar a cristandade. O Concílio oficializou outros moldes: a missão é de Deus porque é Ele o Senhor da História; é eclesial porque nela participa a Igreja toda e todas as igrejas locais; é serviço ao Reino de Deus por meio do testemunho, do anúncio, do diálogo com as religiões, do serviço aos mais pobres e da promoção da justiça, paz e ecologia. O objetivo não é dilatar a Igreja mas servir as causas do Reino: humanização, libertação e salvação integral. (Foto: Leigos Boa Nova em Fátima em 2004)

 

Os antigos motores da missão (os institutos missionários) abriram a possibilidade de partilhar o seu carisma com outros membros do Povo de Deus, sobretudo com os leigos, oferecendo-lhes espiritualidade e projetos em colaboração.

 

Podemos fixar uma data e um local: 17 de Junho de 1995, peregrinação missionária a Fátima. Foi feita a proclamação: “A Sociedade Missionária precisa de cozinheiras, pedreiros, serralheiros, enfermeiras, professores. Todos vós que tendes fé podeis ser missionários. Todos vós, aqui e agora, sois missionários de Deus.” Esse é o ponto de partida dos Leigos Boa Nova.

 

Uma prioridade: educação

A primeira equipa partiu para Malema em 1998 com o objetivo de criar uma escola profissional. A burocracia estatal criou obstáculos. Mas a prioridade permaneceu urgente para ajudar Angola e Moçambique a reconstruirem-se depois da guerra civil. A campanha foi intensa em várias universidades: precisamos de professores de ciências. Não rejeitámos outras especialidades. Mas a área de ciências era essencial. Ao completar 10 anos tínhamos três equipas no terreno: Gabela, Pemba e Chapadinha.

Padre Manuel Bastos com a primeira equipa de leigos que partiu para Malema - 1998

 

Espinha dorsal

O P. Manuel Bastos foi o animador / organizador. Mesmo que algumas as pessoas nos procurem sem terem a fé, a nossa proposta é clara e assenta num tripé: espiritualidade missionária, vida em equipa e dedicação aos mais pobres. Os candidatos integram os grupos de base em Lisboa, Calvão, Cucujães e Porto. A formação é dada a nível nacional em encontros de fim de semana e nas férias missionárias. Os que vivem em Portugal acompanham e sustentam os que partem.

 

Os pobres da nossa casa

O grupo de Lisboa bem cedo acolheu angolanas que, por sua vez, reuniram outras famílias angolanas que há muito tempo moravam em Portugal que andavam perdidas. Mais tarde, foi o grupo de Cucujães - S. João da Madeira - Maceda que elaborou um sério programa para imigrantes da Ucrânia. Organizou um curso de português, valorizou a sua cultura e até ajudou a organizar a paróquia ortodoxa de S. Pedro e S. Paulo, com sede na capela de Santa Filomena em Cucujães.

Entretanto, o superior geral da SMBN pediu ajuda aos LBN para administrar e humanizar o Lar de Santa Teresinha. Trabalho e voluntariado, sem misturar, uniram as duas instituições que formam a OMAS. Também a experiência do Musical Alegria, juntando LBN a outros mais jovens, representou uma boa experiência de evangelização juvenil.

Ana Sofia Costa com crianças da escolinha de Lioce - Pemba 2013

 

Crise do voluntariado

A crise económico-social dos últimos anos atingiu os jovens e os LBN. Tem sido difícil conseguir compromissos de longa duração. O recrutamento e a formação continuaram, mas o que conseguimos é voluntários que, durante um a dois meses, mergulham na Missão e na convivência com os pobres. Tem sido uma experiência marcante para muitos e o movimento começa a inverter-se. Uma experiência de longa duração no Chibuto parece dinamizar vontades e novos compromissos. Qualquer pessoa que viva uma libertação profunda adquire maior sensibilidade face às necessidades dos outros. E, uma vez comunicado, o bem radica-se e desenvolve-se (EG 9).

 

Desafios à Sociedade Missionária - Abertura à novidade do Espírito.

Os jovens podem complementar a ação dos missionários com novas expressões do carisma vindas da sensibilidade laical: justiça, dignidade, solidariedade… Como diz o Papa Francisco, Jesus Cristo pode romper os esquemas enfadonhos em que pretendemos aprisioná-Lo, e surpreende-nos com a sua constante criatividade divina. Sempre que procuramos voltar à fonte e recuperar o frescor original do Evangelho, despontam novas estradas, métodos criativos, outras formas de expressão, sinais mais eloquentes, palavras cheias de renovado significado para o mundo actual (EG 11).

 

Da esquerda para a direita: Tássia Lima, Sofia Silva, Palmira Pires e Diana Salgado em Maputo - 2015

 

Desafios para os Leigos

Muitos jovens partilham a experiência missionária mas depois são engolidos pela mentalidade dominante. O desafio é não se contentar com migalhas do carisma. É melhor sentar-se à mesa, contribuindo com a sua originalidade e identidade: a meta é a mesma, o comboio é o mesmo, deve ser possível o entendimento e o caminhar juntos. Neste tempo de globalização da solidariedade, tem de ser possível viver com os dois pés na Igreja local com um coração todo missionário.

 

P. Jerónimo Nunes

Assistente Espiritual dos LBN

 

Testemunhos da Missão


“O meu trabalho, inicialmente, foi no hospital de Malema. Não havia nada nas prateleiras, nem uma só compressa!... Mas o que mais me impressionou foi a alegria da enfermeira Fátima, após ter realizado numa só noite cinco partos à luz de vela, bem-sucedidos, com o seu filho às cavalitas. Vejam só!... Vamos para ajudar e ficámos sem palavras perante estes belos testemunhos!”

(Emília Machado - Malema, 1998)

 

“Partir em Missão surge da necessidade de agradecer, por sermos pessoas privilegiadas em comparação com tantas pessoas no nosso mundo, pois vivemos numa sociedade com direito à oportunidade, à saúde, à educação… Nesta atitude de gratidão, sentimos que devemos sair ao encontro do outro, até mesmo noutras realidades culturais onde os direitos humanos são postos em causa todos os dias.

Deus ama-nos a todos da mesma forma e isso faz-nos sentir gratas e responsáveis pelo outro.”

 

(Diana Salgado e Sofia Silva - Chibuto, 2015)

 
 

JavaScript is disabled!
To display this content, you need a JavaScript capable browser.

 
 
 
 
Share